
Embora Rudolf Steiner tenha escrito sobre karma ao longo de toda sua carreira como antroposofo, o período de 1923 a 1925, e especialmente as Conferências sobre o Karma de 1924, ele dedicou um ciclo extensivo e específico para desvendar as complexidades das leis do destino humano.
Em 1923/24, Steiner refunda a Sociedade Antroposófica, dando um novo impulso ao movimento antroposófico. Ele sentia a necessidade de aprofundar os conteúdos essenciais para seus membros. Steiner via a compreensão do karma como fundamental para que o ser humano moderno, cético e materialista, pudesse encontrar significado nos sofrimentos e desafios do século XX.
A Editora Antroposófica, publicou em 6 volumes – OBSERVAÇÕES ESOTÉRICAS DE RELAÇÕES CÁRMICAS – Rudolf Steiner.
Cada Ser Humano tem dois professores, em primeiro lugar, saber que somos responsáveis por nós, e o segundo lugar o destino, e o que cada um de nós fazemos com o nosso destino. Aquilo que o Ser Humano não for capaz de alcançar por sua própria diligência, prática, renúncia, dor, pesar, etc., será servido pelos golpes do destino.
Aquilo que o Ser Humano não for capaz de alcançar por sua própria diligência, prática, renúncia, dor, pesar, etc., será servido pelos golpes do destino.
A vida é uma escola, onde temos a oportunidade de obtermos grandes desafios e aprendizados, é mais fácil acusar o próximo, não assumir responsabilidades, nas várias relações e laços existenciais, que fazemos em nossa jornada biográfica, pois enxergarmos fora, às vezes de uma forma distorcida e não olhamos para si, para fazer um caminho de autoeducação, autodesenvolvimento.
No livro de coletâneas, com o título – O que é o Aconselhamento Biográfico, publicado pela ABAB (Associação Brasileira de Aconselhadores Biográficos) escrevi um capítulo sobre o Karma.
Karma tem origem do sânscrito Karman, que significa fazer, agir, não apenas no sentido particular, mas no equilíbrio do entorno, do universal. As consequências dos atos, sentimentos e pensamentos do ser humano reagem sobre ele com a mesma força com que foram postos em ação.
Karma devolve a cada ser humano as consequências de suas escolhas, terá que expiar todos os sofrimentos que haja causado, da mesma forma que irá receber a felicidade e harmonia que contribuiu para produzirem em torno. Temos o Karma individual, social, cultural.
Como aconselhador biográfico, conduzimos o processo individual, nos passos seguintes:
1- Recapitulação: encontro, escolhas vivenciadas.
2- Compensação: Quem foi o Mestre? O guardião do limiar?
3- Qual a demanda Kármica? Podemos encontrar nestas fases em nossa biografia.
A- Determinação Kármica- 0-21 anos
B- Local Kármico: 14-35 anos
C- Realização Kármica: 28-49, 56… 63 anos
D- Sacrifício Kármico: 49- 84 anos – Morrer para o velho e criar algo novo.
4- Ato livre – uma escolha consciente. Levar para a noite e anotar o que vier pela manhã.
Na Metodologia Biográfica trabalhamos com a lembrança (c.astral) e memória (c.etérico) refletindo sobre as nossa vivências e experiências, às vezes usamos neste método um conto, imagem, versos, atividades artísticas (aquarela, argila), teatro. Para exemplificar gostaria de compartilhar o conto alemão, o Rumpelstichen, de forma sumária.
Uma jovem é posta numa situação impossível pelo pai e entregue ao rei, para transformar palha em ouro. Isso simboliza uma prova kármica ou um desafio de destino. Ela não possui, em sua consciência desperta (ego), a habilidade para realizar essa tarefa, que representa a transmutação do grosseiro (palha, material perecível) no precioso (ouro, valor espiritual). Rumpelstichen é um duende que oferece para ajudar na tarefa de transfomrar palha em ouro. Ele é a figura central para a compreensão kármica. Ele não é um “vilão” puro, mas uma entidade Elemental ou uma força da natureza. Ele representa impulsos kármicos inconscientes ou dívidas de vidas passadas que surgem para oferecer uma solução imediata, mas com um preço futuro gravíssimo.
São feitos 3 acordos entre o duende e a menina: A jovem aceita os acordos impensadamente (o colar, o anel e, por fim, o primogênito). Isso simboliza como, em nossa jornada kármica, muitas vezes contraímos obrigações, com forças inferiores, com vícios, com padrões negativos, para resolver crises imediatas, sem entender as consequências de longo prazo.
Descobrir o nome Rumpelstichen é o clímax. Conhecer o verdadeiro nome de um ser, na tradição esotérica e na Antroposofia, significa conhecer sua verdadeira essência e origem. É um ato de conscientização.
Na Antroposofia, o destino, o Karma não é punição, mas oportunidade de desenvolvimento. A situação impossível criada pelo pai mentiroso e pelo rei ganancioso é o “encontro kármico” da moça. Ela encarna numa família com um pai mentiroso, karma familiar e atrai a atenção de um rei materialista, ganancioso. Seu desafio é desenvolver capacidades interiores para lidar com essa situação.
Rumpelstichen personifica forças que trabalham em nosso corpo anímico inconsciente. Ele pode ajudar em emergências, mas sua ajuda não é gratuita; ela cria um novo elo kármico, uma nova dívida. Na visão de Steiner, nossos vícios e padrões negativos de vidas passadas atuam assim: “resolvem” um problema temporário (ex.: ansiedade), mas exigem um “primogênito” no futuro (ex.: a saúde, a liberdade). A menina, em desespero, aceita pactos com essa força inferior, comprometendo seu futuro a maternidade, a força criativa simbolizada pela criança.
Prometer a criança é, simbolicamente, hipotecar o próprio futuro espiritual para salvar o presente. É a imagem perfeita de como más escolhas, embora salvadoras no agora, podem escravizar nosso desenvolvimento futuro.
Este é o momento crucial da redenção kármica. A rainha agora consciente de seu erro não fica parada. Envia mensageiros, partes ativas de sua alma, pelo mundo para investigar e descobrir a verdadeira identidade daquela força. Quando o mensageiro ouve Rumpelstichen cantando seu próprio nome em triunfo.
Ao pronunciar o seu nome ” Rumpelstichen, o seu segredo foi revelado. Na Antroposofia, este é o processo de iniciação que é trazer à luz da consciência os conteúdos das forças anímicas e kármicas que nos governam secretamente. Resolver o karma não é fugir, mas compreender e transformar.
Ao ser descoberto, Rumpelstichen se destrói num acesso de raiva, ele se parte em dois. Isso significa que, uma vez completamente conscientizado e integrado, o padrão kármico negativo perde sua energia e se dissolve. A “dívida” é cancelada não por um pagamento, mas por um ato de plena consciência. A rainha salva a si mesma e ao seu filho, seu futuro, assumindo o controle de seu destino, do seu Karma.
Médica Antroposófica e Aconselhadora Biográfica.
Fundadora/Gestora/Docente – Escola Livre-Antroposofia-MG
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |