Um diálogo com a Metodologia de Gudrun e Daniel Burkhard (2 de 3)

Rosa A. Schoenmaker

3- O CAMINHO INTERNO – o que me torna capaz de realizar encontros verdadeiros.

Outra experiência e vivência fundamental na metodologia reside na Meditação como um caminho interno de desenvolvimento. Aquele que nos chama para o trabalho com as qualidades da alma e a essência do nosso Eu.

Reeducar nossa vida de sentimentos, pensamentos e ações através da conexão com as forças contemplativas e meditativas e conteúdos de base antroposófica para compreensão do ser humano como um ser divino e espiritual.  Vivemos em representações mentais, criamos projeções e o caminho interior meditativo permite perceber estas realidades sombrias.

Aurir desta fonte meditativa e dos conteúdos na formação biográfica, as forcas de coragem para amar a nossa vulnerabilidade, praticar nossa gratidão e alegria, acolher e transformar nossa fraqueza e nela reconhecer a nossa força maior.  Conquistar a liberdade, a confiança na vida. Lidar com as nossas sombras e cuidar delas, tirar as nossas máscaras em busca da autenticidade.  Não deixar que o passado determine o nosso futuro, que a vergonha se torne nossa força diretriz, que o medo nos paralise, impedindo nosso ser de ser autêntico, verdadeiro. O caminho interno é um processo libertador.  Nele entramos em contato com as forças do coração como um grande mediador luminoso. Aprendemos o diálogo interno com nosso órgão do sentir, que se revela de forma verdadeira e pura como um farol que ilumina o caminho.  Passamos a ser o próprio guardião que zela a cada momento pelo nosso ser para que o mesmo possa se revelar de forma íntegra e verdadeira, capaz das mudanças na forma de viver, trabalhar, amar e desta forma encontrar pessoas, atuar socialmente para a construção de um mundo melhor. Viver nosso coração pensante de forma plena. Ser o que se é, sem quaisquer garantias.

 

Nota: As igrejas criam em nós uma ilusão de que somos perfeitos se seguimos as regras e leis que ela nos dita. Transforma tudo em certeza. Temos a certeza e a convicção de que estamos certos. Somos prisioneiros da certeza. Acreditamos que aquela prisão nos garante o “céu”.  Somos criados para ter garantias, Precisamos aprender a viver sem garantias, por isto acredito que viver e amar a vulnerabilidade quando ela se acerca é necessário nos dias de hoje. É por isso que meditar é uma força libertadora.

Um chamado para o desenvolvimento interno, um caminho de auto-educação que me leva a assumir, o compromisso de ser um testemunho dos valores que quero e escolho testemunhar. Uma revisão interna, um encontro com meu ser superior, pleno de alegria e felicidade.

 

4 – Trabalhando com os mistérios do eu: “O GRUPO” ou “O representante do Homem com Ahriman e Lúcifer”, Escultura de Rudolf Steiner, assistido pela escultora Inglesa Edith Marion.

 Na nossa metodologia somos solicitados a trabalhar intensamente com quem somos, quem não somos e quem podemos vir a ser.  Somos convidados a trilhar um caminho que pode levar à real liberdade se compreendermos o quanto estamos como títeres de forças poderosas que atuam na humanidade como um todo. Somos colocados diante de uma escultura para contemplar, através da metodologia Goetheanistica, os fenômenos que ali se apresentam.

Esta escultura, moderna de tamanho colossal que hoje se encontra no Goetheanum foi salva do incêndio que destruiu por completo o primeiro Goetheanum.  Ela tem um significado profundo para aquele que faz a formação biográfica. Para aquele que quer trabalhar com os mistérios do Eu. Aqueles que se colocam a caminho do desenvolvimento da alma da consciência e que vão trabalhar com a esfera da liberdade na condução de um processo biográfico.

A escultura representa um grupo de seres, onde o Cristo é colocado como representante da humanidade. Este representante da humanidade está colocado de uma forma especial em relação a outros seres que estão presentes. Ele se encontra no meio, mais à esquerda. Está entre dois grupos de seres. Tem seus braços estendidos. O esquerdo para cima e outro para baixo.

Ficamos 5 dias observando e desenhando esta obra para aprofundar o conhecimento do homem e os mistérios do Eu.

O desenvolvimento da alma da consciência só pode ser forjado no encontro com estas forças. A forca do poder Arimânico de endurecimento, da sedução Luciférica de amolecimento e a força libertadora Crística.

Numa segunda etapa desenhamos e observamos fenomenologicamente a manifestação delas na nossa vida. Modelamos cenas onde elas atuaram. Identificamos em nós e em nós temos a possibilidade de trabalhar com elas. Somos realmente livres?

A Escultura representa as forças espirituais ativas no homem e no mundo. A humanidade foi mais exposta nos últimos tempos às forças arimânicas.  Um chamado para caminhar o vale das sombras e através dos erros e acertos. O exercício da fantasia moral inspirado pela força crística, que nos conduz para encontrar a verdade e descobrir o quão pouco somos livres e o quanto ainda projetamos nossas sombras nos outros ou o quanto vivemos nas nossas representações mentais, criamos todo tipo de resistências.   O elemento do mal aparece de forma objetiva e podemos escolher se queremos mantê-lo, resgatá-lo ou afastá-lo de nós. Um caminho sem volta para quem quer desenvolver a alma consciente.  Um caminho de aprendizado profundo e transformador. Na formação biográfica somos chamados para conhecer estas forças cada vez mais presentes nos fluxos da vida pessoal e na historia da humanidade.

Este é o tema central e ao mesmo tempo o drama da iniciação da alma da consciência.

(Continua)

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