O Natal

Tânia C. S. Matos.*

 

Imaginemo-nos ajoelhados diante da manjedoura.

Levemos à criança do Natal aquelas oferendas oriundas do conhecimento, fazendo o extraordinário permear nossas almas para que a humanidade moderna possa realizar as tarefas que a conduzam da barbárie a uma civilização verdadeiramente nova.

No entanto, é necessário para isto, que entre nós, um ajude o outro em verdadeiro amor; que se formem reais comunidades das almas, que suma de nossas fileiras todo tipo de ciúme, inveja, que não olhemos para uns e outros, mas sim que todos unidos dirijamo-nos a uma única meta.

Isto faz parte do segredo que a criança natalina trouxe ao mundo; que seja possível dirigir-se a uma meta comum, sem que os homens tenham desarmonia entre si, pois que a meta comum significa união em harmonia. E a luz de Natal deveria luzir como a Luz de Paz, como a luz que somente poderá trazer a paz exterior, se antes espalhou a paz interior nos corações humanos.

Deveríamos ser capazes de nos dizer o seguinte: “Só quando conseguirmos atuar juntos com amor nas grandes tarefas, entenderemos o Natal

Rudolf Steiner (24/11/1920)

 

Atualmente o Natal tem sido comemorado com o pano de fundo do consumismo. O maior valor é destinado aos presentes, aos enfeites, à mesa farta, às bebidas, ao barulho, às roupas de festa etc… seguindo assim o caminho do materialismo.

No entanto, o Natal é uma festa Cristã com forte cunho espiritual. A essência do Natal deve ser vivenciada no coração, no interior do Homem.

 

“E quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz e teve seu filho primogênito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2, 6-7).

Na noite de 24 para 25 de dezembro, se realiza, finalmente, todo o sentimento de esperança que cultivamos ao longo das semanas do Advento. O Natal se renova todo ano, é a expressão da força doadora do amor divino. Todo ano, no Natal, recebem a terra e a humanidade, um “subsídio” de forças divinas. A melhor forma de acolhermos estes “subsídios” é em forma de dádivas, de presentes. O nascimento de crianças na terra pode ser visto, por todos nós, como presentes divinos.

Depois do tom apocalíptico do Advento, seguem as imagens positivas referentes ao Natal.

O dia 25 de dezembro, mostra-nos a sua extraordinariedade por conter, em apenas um dia, três Atos de Consagração.

O primeiro ato se dá à meia noite do dia 24 de dezembro com o nascimento da criança especial (Matheus, 1,  1 – 15).

 

um Deus para nós, uma criança por si” (Novalis)

 

Nos gestos humanos dessa criança, transforma-se o poderio dominador de Deus em amor. Essa força divina, ainda é realeza, fortaleza, mas atua de dentro para fora. No menino, que a “Madona Sixtina” traz nos braços, tomou forma plástica essa maravilhosa realeza da criança.

 

O amor não impera, porém forma, molda – e isso é muito mais

(Goethe)

O segundo ato, acontece às 8hs do dia 25 de dezembro, com o nascimento do menino Jesus e a anunciação aos pastores (Lucas, 2º capítulo – versus 1 a 20).

Os pastores são os que recebem a criança na terra. Eles recebem a promessa, de que o mais simples da vida humana será acolhida pela compaixão divina. “Paz na terra aos homens de boa vontade”, essa é a atmosfera natalina do segundo Ato de Consagração no Natal.

Para fazer brotar esse EU superior é necessária, principalmente, a qualidade do coração quente, sensível, como a dos pastores que se dirigiam ao estábulo para contemplar e cumprimentar a chegada do Mestre.

 

 

Com o cultivar do amor divino em nossos corações, conseguimos “ouvir” a força natalina na manhã do dia 25 de dezembro. Pois aquilo que nasceu nesta noite é jovem, puro, como uma criança.

agarre as suas mãos, impregne em ti o seu semblante“. (Novalis)

Só assim conseguiremos ser parte deste acontecimento santo, é isso que nos colocará dentro do acontecimento natalino.

E, por fim, o terceiro ato, às 9h30 do dia 25 de dezembro – abre-se a “fonte de graça” e irrompem para a terra, permitindo saciar-nos nesta fonte inesgotável.

Agora é chegada a hora de nos lembrarmos da pergunta de Cristo a Pedro: “Tu me amas”? (João, 21)

Surge-nos o motivo natalino do amor, só que na direção contrária. É algo novo na história do Cristianismo. De maneira surpreendente, somos colocados diante de uma nova tarefa. O Natal se aproxima verdadeiramente de nós. Ele deixa de ser uma promessa distante e um presente ao Homem e passa a ser uma Tarefa Humana … que resposta daremos a esta pergunta?

Voltando ao início deste texto, reconhecemos que muitos de nós “sentimos falta” de algo a ser verdadeiramente festejado no Natal. Este algo verdadeiro, em muitos parece claro, não ser as superficialidades do nosso tempo. O nosso foco de preocupação não deve estar voltado ás compras, aos presentes materiais, às comidas, às bebidas; mas sim, à resposta essencial à pergunta divina.

A questão é que o Natal não é apenas vivenciado nos dias 24 e 25 de dezembro. A força deste acontecimento irradia por mais 12 noites, são as Noites Santas. A imagem é uma escada com os treze passos de desenvolvimento que indica o caminho do nascimento do ser humano perfeito, que possibilitará o nascimento do EU ou da individualidade divina em nós. Na agitação dos dias de hoje, se faz cada vez mais necessário, vivenciar e época de Natal com profundidade. Deve-se buscar certa liberdade do nervosismo e do excesso de atividades para encontrar espaço para a meditação interna. Se assim for feito, a Época de Natal pode tornar-se força excepcional de forças para o ano vindouro. Por isso é correto presumir que nessa época são formadas forças que radiam espiritualmente por todo ano.

Quem começa a caminhar no dia 25 de dezembro de cada ano, vai andar o maravilhoso percurso da transformação do conhecimento e da sabedoria na capacidade de amar sempre mais e mais, até que a paz se estabeleça na terra.

Neste percurso, o Homem pode percorrer teórica ou praticamente as 12 casas zodiacais, são elas:

Áries: impulsão.

Touro: esforço e elaboração.

Gêmeos: polaridade.

Câncer: passividade, apego.

Leão: vida.

Virgem: diferenciação.

Libra: sociabilidade.

Escorpião: fermentação, desagregação.

Sagitário: dualidade entre os instintos e as aspirações superiores.

Capricórnio: elevação.

Aquário: passagem aos estágios superiores.

Peixes: mundo interior.

*Tânia C. S. Matos.

Desenvolvimento Humano e de Organizações.

(11) 999445706 (vivo).

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